Tendência do “slowbeauty” ganha espaço no mercado da beleza

Movimento motiva consumidor a ser menos imediatista na hora de comprar produtos para o corpo, o rosto e o cabelo.

Chegou o momento da beleza leve e nada imediatista. Depois do intenso combate ao fast food, surge um novo movimento: o slowfood, uma alternativa saudável, diferente do antigo modo de vida que privilegiava a rapidez e agilidade dos pratos sem olhar para as calorias e nutrientes ingeridos. O momento da refeição propõe ir além do tempo reservado para desfrutar o sabor do alimento em si. Ele também deve ser usado para observar o que se está ingerindo – ou seja, qual a composição, origem dos ingredientes nos pratos e se eles são saudáveis ou nocivos para a saúde do organismo.

Esta tendência parece não se restringir ao campo da alimentação, sugerindo um debate mais amplo sobre a qualidade de vida, o que inclui temas como saúde e beleza. O que se observa nos últimos anos é um número cada vez maior de pessoas que se aderem ao que chamam de “slowbeauty” (ou “beleza lenta”, em português) – aquela que busca o resultado a longo prazo e que se caracteriza, entre outras coisas, pela preocupação com a origem dos produtos consumidos no dia a dia.

Hoje, é preciso ter um olhar mais atento tanto para a procedência dos produtos que consumimos quanto para as consequências que o uso deles possa trazer, tais como os impactos que causam ao planeta.

O “slowbeauty” é um movimento bem-vindo porque estende um comportamento saudável e confere uma reanálise necessária da vida moderna. Precisamos, porém, estar alertas quanto à sua forma de utilização e divulgação, pois pode ser banalizada.

Outra dica importante é prestar atenção na hora de ir ao cabeleireiro. Se você frequenta um que faz tudo o que você quer no seu cabelo, tome cuidado, pois ele deveria primeiro dar orientações. Slowbeauty é, antes de mais nada, deixar claro que os métodos utilizados são saudáveis e que eles dão os resultados imediatos típicos da “fastbeauty”.

A percepção de saúde deve prevalecer sobre a do brilho e daquilo que é instantâneo. O “slowbeauty” privilegia o tripé: corpo, mente e espírito. A intensão é dar um choque no organismo que lhe permita se sentir mais leve, equilibrado e saudável. Lavar corretamente os cabelos, alimentar-se de forma natural e equilibrada, controlar o nível de estresse, ter um tempo para olhar para dentro de si. Tudo isso pode ajudar o movimento “slowbeauty” a se tornar pleno e factível para se atingir uma real beleza.

Movimentos como esse são fundamentais para a evolução do mercado da beleza. É fundamental que, como consumidores, façamos exigências e comecemos a observar os rótulos das embalagens. Enquanto o controle estiver nas mãos de reguladores como Anvisa, as marcas predominantemente seguirão o padrão “fastbeauty”. Temos que evoluir muito ainda em nossa exigência. Assim, as marcas certamente vão fornecer muito mais produtos com composição adequada para o “slowbeauty” e, só assim, realmente construir beleza.

Matéria publicada no jornal Estadão em 11/03/2016.

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